Neste sábado (27), Wagner Moura completa 50 anos vivendo um dos momentos mais marcantes da carreira. O ator entrou para a história ao se tornar o primeiro brasileiro indicado ao Oscar de Melhor Ator, graças à atuação em "O Agente Secreto", longa dirigido por Kleber Mendonça Filho. A produção ainda recebeu indicações nas categorias de Melhor Filme Internacional, Melhor Seleção de Elenco e Melhor Filme, principal disputa da premiação.
Apesar de ter concorrido em quatro categorias no Oscar 2026, "O Agente Secreto" encerrou a cerimônia sem estatuetas. Mas, muito antes de alcançar reconhecimento mundial, o eterno Capitão Nascimento viveu uma adolescência marcada por dificuldades de adaptação. Em entrevista concedida ao programa Fantástico, da TV Globo, exibida em 6 de outubro de 2013, o ator abriu o coração ao relembrar a juventude, o início da carreira e revelou um apelido inusitado que recebeu na escola.
Durante a conversa com a jornalista Renata Vasconcellos, exibida pelo Fantástico, Wagner Moura contou que a mudança do sertão da Bahia para Salvador foi um período delicado de sua vida.
"Quando eu cheguei do Sertão e fui morar em Salvador, eu não me adequei. E eu só tinha 15 anos. Tudo o que você quer nessa idade é ser aceito pelos outros e tudo que acontecia era o oposto comigo", relembrou o ator.
Na sequência, ele revelou que tinha poucos amigos e encontrou no teatro um espaço onde finalmente conseguiu se sentir pertencente.
"Eu era muito sozinho. Não tinha muito amigo. Eu fui parar no teatro e fui me identificando com as pessoas do teatro. Eu meio que achei uma turma no teatro."
Foi então que surgiu a revelação que surpreendeu muitos fãs.
"O meu apelido na escola era óvni. Eu era estranho", confessou Wagner Moura, segundo entrevista exibida pelo Fantástico, da TV Globo.
© Reprodução, IRDEB
A identificação com o teatro acabou mudando os rumos da vida de Wagner Moura. O que começou como uma forma de encontrar amigos se transformou em uma carreira de enorme sucesso na televisão, no cinema e nos palcos.
Na época da entrevista, o ator já acumulava uma trajetória respeitada. Aos 37 anos, era reconhecido por trabalhos na TV, no teatro e no cinema, havia interpretado Hamlet, era vocalista de uma banda de rock, casado havia 13 anos e pai de três filhos.
Na conversa, ele também revelou que desejava ampliar sua atuação nos bastidores do audiovisual.
"O que eu vou fazer agora é produzir e dirigir filme. É um novo momento", afirmou ao comentar o lançamento de "Serra Pelada", produção que realizou ao lado de Heitor Dhalia.
Outro assunto abordado durante a entrevista foi a estreia em Hollywood. Diferentemente do que muitos imaginavam, Wagner Moura afirmou que a experiência não o intimidou.
"Não me intimidou. Ela me instigou. Porque era uma experiência nova, diferente, arriscada."
Segundo ele, o maior desafio era deixar a zona de conforto para atuar em inglês, longe do Brasil e em um ambiente onde ninguém o conhecia.
Ao falar sobre aparência, o artista também demonstrou simplicidade e bom humor. Ele lembrou da surpresa que sentiu ao ser escalado por Miguel Falabella para viver um galã na novela "A Lua Me Disse", fazendo par romântico com Adriana Esteves.
"Eu me sinto muito um homem normal, com uma cara de brasileiro. Eu acho que isso foi uma coisa muito boa para mim no cinema", declarou.
Durante o bate papo, Wagner Moura ainda refletiu sobre os efeitos da fama. Para ele, o reconhecimento pelo trabalho é gratificante, mas rejeita o rótulo de celebridade.
"Eu não sou celebridade nada. Eu sou um ator brasileiro que gosta do que faz e que quer o direito de não fazer parte do circo e que seja respeitado", afirmou.
Ao recordar a infância, também contou que veio de uma família do sertão da Bahia, onde a estabilidade profissional era muito valorizada. Seu pai, inclusive, desejava que ele seguisse um caminho mais tradicional, cursando uma escola técnica.
Mais de uma década depois daquela entrevista ao Fantástico, as palavras de Wagner Moura ganham ainda mais significado. O adolescente que um dia foi chamado de "óvni" pelos colegas encontrou no teatro um lugar de acolhimento e transformou essa diferença em sua maior força. Hoje, aos 50 anos, celebra uma carreira histórica, marcada pelo reconhecimento internacional e pela inédita indicação ao Oscar, consolidando seu nome entre os maiores atores brasileiros de todos os tempos.
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